Para Roberto Gallo, a arte pública não tinha apenas função estética. Seus projetos buscavam aproximar os moradores da história e da cultura do lugar onde viviam, valorizando referências caiçaras presentes na paisagem, na pesca, nas tradições e na relação com o mar. Em seus escritos, o artista associava esse processo ao fortalecimento da cidadania, entendendo que o sentimento de pertencimento nasce do reconhecimento do território e da memória coletiva.
Os espaços públicos guardam marcas da história e da identidade de uma cidade.
Ao longo do tempo, monumentos, praças, edifícios e obras artísticas tornam-se referências compartilhadas pela população, integrando aquilo que os estudiosos chamam de memória coletiva.
Os painéis de Roberto Gallo fazem parte dessa paisagem cultural de Caraguatatuba/SP, preservando visualmente elementos da cultura caiçara para as futuras gerações.
As obras desenvolvidas por Roberto Gallo em Caraguatatuba entre 2013 e 2015 não foram concebidas como intervenções isoladas. Embora distribuídas em diferentes praças e espaços públicos, elas compartilham um mesmo universo simbólico e uma mesma reflexão sobre a identidade cultural do litoral norte paulista.
Ao percorrer o conjunto, observam-se elementos que reaparecem continuamente: o pescador caiçara, os cardumes, as aves marinhas, a canoa, o mar, a Mata Atlântica, os grafismos de matriz indígena e as referências à pesca artesanal. Cada obra enfatiza aspectos distintos desse repertório, mas todas participam de uma narrativa comum..