As camisetas não são vendidas.
Elas vão para quem participa do Olhares da Cidade — o programa que reúne fotografias, relatos e lembranças dos lugares onde estão essas obras.
Quem contribui com uma fotografia ou uma memória recebe uma camiseta.
Em 2005, Roberto Gallo aplicava tinta sobre superfícies da cidade e imprimia tecido sobre elas. A marca urbana virava imagem; a imagem virava pintura. Ele expôs esses trabalhos em Campinas, no Rio de Janeiro e criou uma oficina para ensinar o procedimento, chamada Tecido Urbano.
Entre 2013 e 2015 ele executou, em Caraguatatuba, cinco obras públicas. Os painéis em baixo-relevo da Praça Santo Antônio, Praça do Camaroeiro e Praça do Caiçara foram cortados à faca no cimento fresco, numa janela de poucas horas que não admite correção.
Essa camiseta traz um fragmento daquela obra.
Vinte anos depois, a operação se repete ao contrário: a obra que ele fez para a cidade virou superfície da cidade — e é dela que a imagem agora se transfere para o tecido.
Quem veste carrega um pedaço de uma obra pública que a cidade reconhece e que ainda não está documentada. Documentá-la é o que este projeto faz.